Estou surpreendentemente bem! Até agora, a única coisa que sinto é algum cansaço e ligeiras dores musculares. Nada que não se aguente, portanto. Trabalhei toda a tarde, como previsto, e nem o meu apetite se ressentiu. Espero que não seja sorte de principiante e que a minha tolerância à medicação se mantenha.
Estava preparada para o pior, por isso esta está a ser uma surpresa muito agradável. Já me passou pela cabeça a hipótese de se terem enganado na minha medicação, mas acho altamente improvável. Estou mais inclinada para acreditar que os outros doentes, que relatam 550 efeitos secundários e cada um pior do que o outro, sejam todos uma cambada de panisgas que se vão abaixo com qualquer coisinha. Eu cá sou rija, feita de outra fibra, resistente, e não será isto que me vai derrubar. (Estou obviamente a brincar, sei que, apesar de existirem padrões, cada organismo reage de forma muito própria. Deus permita que eu continue a contrariar a tendência e não sofra tanto quanto a maioria das pessoas que se submetem a este tratamento.)

Cá em casa andam todos preocupados comigo, e é o que mais me custa. A minha mãe passou a tarde a enviar-me sms's, para se certificar que eu estava bem. Quando regressei do trabalho, só faltou estender-me a passadeira vermelha, tive direito a presente e tudo. No hospital, acho que os enfermeiros ficaram mais apreensivos por ela do que por mim. Ainda por cima, no exacto momento em que iria começar com o meu veneno, não me consegui aguentar e tive um ataque de choro. Enfim, muitas emoções acumuladas, muita revolta, muito sentimento de injustiça... Não o devia ter feito, mas não me contive e sei que isso só a deixou pior, a sentir-se mais impotente por não me poder ajudar. Sei-o porque era isso que eu sentia quando, no início do ano, os papéis se inverteram e era ela que estava ali, indefesa, a combater a doença que o destino pôs no seu caminho.
Mas mudemos de assunto, que isto não é um blog de desgraças, e, afinal de contas, so far so good:
Não é que o meu F. C. P. deu 4 a 1 ao Guimarães?